# Kilimanjaro: será para mim?

Fonte: https://www.rayonrando.com/pt/content/149-kilimanjaro-sera-para-mim
Idioma: pt

Entre os **destinos preferidos** no outono-inverno, a subida ao **Kilimanjaro** ocupa um lugar de destaque entre os caminhantes que se equipam na RayonRando.

Este alto cume emblemático **(5895 m)** é acessível, mas faz muitos caminhantes hesitar.

Eis os principais fatores a considerar antes de se lançar na aventura.

## Mal de altitude, ou mal agudo de montanha:

Quando fiz esta subida, li à entrada do parque que apenas 40 % dos praticantes de trekking chegavam ao cume.

Como o **trilho não é técnico,** é sobretudo o **mal de altitude** que leva às desistências. Começa com dores de cabeça, por vezes intensas, e obriga rapidamente a descer, sob pena de pôr em risco a vida da pessoa afetada.

A razão destas desistências parece-me estar no próprio formato do trekking: o **Kilimanjaro é um cone isolado**, o que leva a uma **subida direta** da savana ao cume, muitas vezes proposta em apenas 5 ou 6 dias, com 4000 m de subida pela via Machame.

Num período tão curto, o **tempo de aclimatação** à altitude pode ser insuficiente.

Segundo a minha experiência pessoal, que não é uma regra universal, são necessários cerca de três dias de caminhada a uma altitude intermédia, entre aproximadamente 3000 e 3500 m, para se adaptar à altitude e «produzir glóbulos vermelhos». Pode subir durante o dia e fazer bivaque um pouco mais abaixo à noite. A sensibilidade à altitude varia de pessoa para pessoa, tal como o tempo de aclimatação.

Quando fui, 11 de 12 pessoas chegaram ao cume. Como o conseguimos? Fizemos primeiro uma **subida de preparação** ao Monte Quénia, a 5000 m, durante 6 dias. Depois, estávamos suficientemente aclimatados para subir ao Kilimanjaro sem grandes dificuldades.

Noutra subida no Peru, a aclimatação demasiado curta e a subida demasiado rápida causaram mal de altitude em muitas pessoas.

Se não conhece este fenómeno por experiência própria, recomendo atenção ao programa do trekking: o ideal é fazer primeiro outro trekking em altitude para se aclimatar antes da subida final ao Kilimanjaro; o Monte Quénia e o Monte Meru não ficam muito longe. Em alternativa, um percurso um pouco mais longo no Kilimanjaro, que permita ficar mais um dia a 3000-3500 m, é muito mais seguro do que um percurso curto, como alguns programas Kilimanjaro + Safari.

## O frio:

Vai dormir **numa tenda e faz frio.** Há cabanas, sobretudo antes da subida final, mas não é garantido encontrar lugar devido à afluência. Prepare-se para **noites frias** e **manhãs frias**. Mesmo que durante o dia esteja agradável, precisará de roupa muito quente e de um **saco-cama para frio extremo**, disponível na secção «sacos-cama para frio extremo» da RayonRando.com.

Na última noite, levantar-se-á por volta da meia-noite-1h para a subida final noturna, pelo que deverá estar bem agasalhado.

Se tem dificuldade em suportar o frio, talvez não seja o destino certo...

## Condição física e equipamento:

Não precisa de ser campeão para subir ao Kilimanjaro. Os trilhos **não são técnicos**, mas é preciso vencer o **desnível.** Basta caminhar regularmente e estar em boa forma. É importante chegar descansado ao início do trekking. Regressará cansado.

Na subida final, até ao amanhecer, senti alguns problemas de equilíbrio devido à altitude e à escuridão. Recomendo vivamente levar uma **boa lanterna frontal e bastões de caminhada** para esta última etapa, proporcionando conforto e estabilidade.

Não vou desenvolver as recomendações habituais sobre bom calçado, gorro, luvas, roupa interior térmica, etc. Sem esquecer a habitual manta de sobrevivência.

Pequenos aquecedores químicos podem ser úteis se tiver dificuldade em aquecer no cume.

## Em conclusão:

O **Kilimanjaro é um belo destino relativamente acessível.** Contudo, não deve tentar subi-lo sem alguma experiência de caminhadas longas.

Além de uma **boa condição física**, o essencial antes de partir é verificar se o programa permite um tempo razoável de **aclimatação à altitude**. Evite percursos curtos. Um primeiro cume de preparação é o ideal.

Há várias vias para chegar ao cume. Pode ser interessante subir por uma via secundária, menos frequentada e mais longa, e descer pela principal. **É obrigatório recorrer a um guia**, pelo que não fará o percurso sozinho.

Um programa bem planeado, bom acompanhamento e boa condição física permitirão chegar ao teto de África sem grandes dificuldades.
