# Num refúgio com uma criança: como funciona?

Fonte: https://www.rayonrando.com/pt/content/156-num-refugio-com-uma-crianca-como-funciona
Idioma: pt

Um bivaque na montanha é, por vezes, uma aventura. Uma noite num refúgio com uma criança pequena também. Após uma primeira noite num refúgio com um rapaz de 4 anos, aqui fica **um relato da experiência** para os pais e avós que ainda hesitam.

Depois de desistirmos um ano antes por ainda serem necessárias fraldas, tentámos a sorte este ano com uma criança que já não as usa. Rumo aos Hautes-Pyrénées!

## Bivaque em tenda ou refúgio?

A questão nem chegou a colocar-se. Para uma caminhada de alguma distância, precisávamos da mochila porta-bebé, pois a autonomia do nosso pequeno caminhante ainda é limitada. Depois de «carregada», **representava um peso de 23 kg para o pai**, que dificilmente podia levar mais. Era impossível a mãe transportar sozinha a tenda e o equipamento de bivaque. O peso do piquenique, da roupa e do material para dormir já era suficiente. Por isso, escolhemos o refúgio.

Rumo ao refúgio de Bastan:

Após alguma pesquisa, este refúgio tinha a vantagem de um **percurso de acesso fácil e não demasiado longo (2 h 30)**, que permitia depois continuar até aos lagos ou ao colo consoante a forma do pequeno, e regressar relativamente depressa no dia seguinte.

Porém, **as instalações do refúgio não eram especificamente adaptadas às famílias**: não havia quartos, mas sim duas camaratas, e uma única casa de banho no exterior.

## Chegar cedo para escolher bem onde dormir:

A caminhada até ao refúgio revelou-se mais longa do que o previsto, devido a um escaravelho no caminho, à caça de duendes, às várias flores e à alternância entre correr e «não quero andar»… **É bom ter margem.**

A primeira pergunta ao chegar ao refúgio não foi «o que vamos comer?», mas "onde vamos dormir e como nos levantamos a meio da noite em caso de urgência para fazer chichi?".

**Em Bastan, há uma única casa de banho, situada a algumas dezenas de metros do refúgio.** Será necessário vestir-se e calçar-se em caso de urgência. É bom saber para a preparação psicológica…

Quanto ao local de dormir, a camarata principal, no piso superior, só é acessível por uma «escada» vertical. Uma opção impensável se for preciso levá-lo à casa de banho durante a noite.

Resta a tenda Marabout com beliches, a 30 m do edifício: com acesso ao nível do solo, é mais prudente.

Somos quase os primeiros a instalar-nos, **o que nos permite escolher um canto tranquilo**: ao fundo, num canto, não haverá passagem nem correntes de ar. E sem vizinho para o pequeno, que instalamos numa cama encostada à divisória. Fico na cama ao lado e a mãe na de cima. **É tranquilizador para todos e os outros hóspedes também ficarão mais descansados**.

## Preparar o pequeno para a noite:

Preparamos logo as camas, mostrando bem onde ficam o pai e a mãe. Tiramos já **o peluche e a pequena lanterna frontal que servirá de luz de presença**, sem incomodar os outros hóspedes.

Antes de uma pequena sesta, instalamo-nos na cama para ler um pouco e nos habituarmos ao local.

O nosso rapaz está encantado.

## O jantar:

Depois de uma tarde a descobrir os arredores e a molhar os pés no lago, chega a hora do jantar. Até aqui, tudo bem. Provavelmente não há mais barulho do que na cantina… E há massa!

## Durante a noite:

Não demoramos a regressar às camas, o que nos permite cumprir os rituais da noite, sobretudo ler um pouco antes de todos se instalarem.

**Estamos suficientemente isolados no nosso canto para não sermos incomodados pela circulação na camarata.** O pequeno adormece depressa. Eu demoro mais, pois penso no que fazer se houver um acidente e o saco-cama ficar molhado durante a noite.

Alerta 1: peluche perdido.

Acordo sobressaltado a uma hora indeterminada: «Peluche! Peluche!». Procuro às apalpadelas o peluche, que foi passear para o fundo do saco-cama. O rapaz volta logo a adormecer.

Alerta 2: peluche novamente perdido.

Repete-se a cena. Desta vez está no chão.

Alerta 3: urgência para fazer cocó.

É quase um alarme que dispara em forma de grito: «Urgência para fazer cocó! Urgência para fazer cocó!». Olho para o relógio: 4 da manhã. A casa de banho fica a 150 m. Acalmo a sirene enquanto me visto a custo. Uma pequena saída para o fresco revigorante, com o pequeno ao colo, rumo à casa de banho e com cuidado para não tropeçar.

**No fim, depois de um pequeno chichi e completamente acordados, aproveitamos para olhar para o céu estrelado.**

Digo ao meu filho: «Consegues contar as estrelas?». «Não, mas consigo contar a lua: 1!», responde, apontando para a lua. Pelo menos, rimo-nos um pouco…

Claro que, ao acordar, nem ele nem eu estávamos em grande forma.

## Conclusão:

Ficámos muito contentes por levar o nosso filho a dormir num refúgio. Mas, após uma noite pouco repousante, não ficámos com vontade de repetir logo…

A escolha de uma **caminhada de acesso bastante fácil** e não demasiado longa revelou-se acertada, sobretudo no regresso. Mas, da próxima vez, procuraremos um refúgio um pouco mais confortável, com a **casa de banho junto ao quarto.**

Por outro lado, **dormir numa camarata não foi um problema para o pequeno**. Como estávamos isolados num canto da sala, não fomos incomodados e não incomodámos (julgo eu) os outros.

Enfim, uma noite num refúgio é agradável, mas no próximo verão faremos bivaque em tenda!
