# RayonRandoZine n.º 1: a revista do ar livre

Fonte: https://www.rayonrando.com/pt/content/44-rayonrandozine-no-1-a-revista-do-ar-livre
Idioma: pt

## Índice n.º1 - Abril de 2022:

Que circos glaciares! (Troumouse, Estaubé, Gavarnie).

Capa de chuva ou casaco impermeável?

Livro: Raymond Maufrais: a aventura comovente.

## Que circos glaciares!

## Troumouse, Estaubé, Gavarnie

Quando pensa nos Hautes-Pyrénées, pensa certamente nos seus famosos circos glaciares. Gavarnie, dirá? Sim, mas não só. São **3 vizinhos: Troumouse, Estaubé, Gavarnie**, imensas muralhas rochosas junto à fronteira espanhola.

Vá apreciar este espetáculo com toda a família. **Eis o que o espera.**

## Gavarnie: magnífico e muito concorrido

**Magnífico**! **Um superlativo sem exagero**: o circo de Gavarnie é realmente um dos mais belos circos glaciares que existem. Património da Unesco, a muralha rochosa coroada por cumes com mais de 3000 m forma um arco magnífico. **A beleza mineral é realçada pela presença da água**, pelo bonito rio de montanha no fundo do vale e, claro, pela famosa cascata de 422 m. Muito mais alta do que a torre Eiffel, admira-se de longe e aprecia-se de perto (com direito a borrifos de água, conforme o vento).

[\[Continuar a ler...\]](https://www.rayonrando.com/pt/content/144-que-circos-troumouse-estaube-gavarnie)

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## Capa de chuva ou casaco impermeável?

Finalmente, um debate de fundo nesta época eleitoral. Numa caminhada, deve optar por uma capa de chuva ou preferir um casaco impermeável? A RayonRando ajuda a esclarecer.

Para enquadrar o debate, esclareço que escolho uma ou outra destas **2 soluções quando parto para caminhadas de vários dias**:

- **Ou a capa de chuva**; nesse caso, levo também um **corta-vento leve** para me proteger apenas do vento (e do frio) quando não chove. Mas não levo calças impermeáveis, porque a capa desce abaixo do joelho, nem uma capa para a mochila, que já fica coberta pela capa de chuva.

- **Ou o casaco impermeável**, que também serve de corta-vento quando não chove; nesse caso, levo ainda **calças impermeáveis** e uma **capa impermeável para a mochila**.

Como vê, a minha escolha não é definitiva. Depende do que vou fazer.

**Eis os 5 fatores** que permitem dar preferência a uma ou outra opção: **[Continuar a ler](https://www.rayonrando.com/pt/content/53-escolher-entre-capa-de-chuva-ou-casaco-impermeavel)**

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## Livro: Raymond Maufrais, a aventura comovente

Não é um best-seller acabado de chegar às livrarias: «Aventures en Guyane», de Raymond Maufrais, foi publicado pela primeira vez em 1952. No entanto, mantém todo o seu interesse.

**O que o torna único** é o facto de não se tratar de um relato de aventura embelezado, nem de um testemunho revisto e corrigido. «Aventures en Guyane» é o diário de viagem, sem retoques, de um aventureiro que morreu durante a aventura. Um indígena encontrou este caderno por acaso, algumas semanas após o seu desaparecimento.

## Um êxito literário:

Embora não se destinasse a ser publicado, não pense que se trata de um rascunho ou de um amontoado de notas. O aventureiro era também um **excelente escritor, preciso e subtil**, tanto ao descrever o meio que o rodeava como o seu estado de espírito. O que também marca é **a franqueza e a sinceridade do relato**.

## A história:

Estamos em 1949. **Raymond Maufrais, de 23 anos**, é um jovem que participou nos combates da Libertação e já realizou uma viagem pelo Brasil. Decide **tentar uma expedição inédita**: chegar ao Brasil a partir da Guiana, atravessando a imensa floresta amazónica e os montes Tumuc Humac. Mas lança-se na aventura **sem dinheiro, sem meios materiais, a pé e sozinho**.

## Um testemunho comovente e sincero:

Como avançar por esta floresta impenetrável quando se está mal equipado e se tem de dedicar boa parte do dia à procura de comida? Muito depressa, o fracasso parece inevitável. Ao longo do livro, sentimos admiração e depois uma certa irritação perante este aventureiro, que escolhe ignorar os obstáculos previsíveis e os múltiplos avisos de todas as pessoas que encontra na Guiana.

Mais do que um temerário, não estaremos perante alguém que desafia a morte? Acabamos até por sentir algum desconforto perante esta obstinação corajosa e insensata. Parece tão condenada ao fracasso que nos perguntamos se Raymond procura a aventura ou foge do mundo. Também não podemos deixar de sentir compaixão por este homem que quer acreditar, mas percebe aos poucos que caminha para a morte e que, já sem forças, abandona a expedição. Tarde demais…

A própria natureza do suporte, o diário de viagem, permite-nos acompanhar por dentro a aventura de Raymond Maufrais e vê-la transformar-se numa **luta pela sobrevivência**. Permite-nos também acompanhar, passo a passo, a sua **evolução psicológica, expressa sem disfarces**, entre determinação e angústia.

A aventura desesperada de Raymond Maufrais teve consequências: **o seu pai, Edgar Maufrais**, partiu em busca do filho durante muitos anos, acreditando em todos os rumores de que teria sobrevivido. Daí resultou outro livro: **«A la recherche de mon fils»**.

Raymond Maufrais: «Aventures en Guyane»; Editora: Points

Edgar Maufrais: «A la recherche de mon fils»; Editora: Points

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Eis o que estamos a preparar para o próximo número:

- Maiorca: acima da praia, os trilhos
- O que é o valor R
- Experiência no terreno: Raymond Rando volta para trás

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