Na RayonRando, encontramos frequentemente caminhantes que querem, acima de tudo, uma mochila leve. Se lhes perguntarmos porquê, a questão surpreende-os: a leveza parece ser uma vantagem por si só. Nem sempre é assim.

Poderia caminhar com um simples saco de plástico equipado com 2 tiras a servir de alças? Seria extremamente leve e extremamente desconfortável.

Uma mochila leve: com que objetivo?

O peso é uma limitação no trekking. Reduzir o peso transportado é melhorar o conforto, reduzindo a fadiga de transportar um «peso extra» pouco habitual.

Mas o conforto de transporte não é só isso: também é ter liberdade de movimentos, não sentir incómodo por fricções ou pontos de pressão e ter uma mochila fácil de manusear e organizar.

Deste ponto de vista, uma mochila mais leve não significa necessariamente mais conforto.

Não há milagres para obter uma mochila leve. As mochilas mais técnicas podem utilizar materiais mais leves do que os modelos básicos, mas as mochilas leves recorrem sobretudo a menos material. Na RayonRando, constatamos que a verdadeira diferença entre uma mochila leve e uma muito confortável é esta redução de material, que se traduz em:

  • Um sistema de transporte mais fino. Isto pode afetar as armações, mas é especialmente visível nas espumas das alças, do painel dorsal e do cinto lombar. São sempre mais finas e frequentemente mais duras do que nas mochilas mais pesadas.
  • Menos equipamento: menos bolsos, fechos, acessos ao interior e acessórios, como fitas de fixação ou capa de chuva.

Assim, ganha conforto ao reduzir o peso, mas perde conforto com um sistema de transporte mais simples e uma arrumação menos prática.

Antes de escolher uma mochila leve, importa perceber se a redução de peso compensa, em conforto, o sistema de transporte mais simples e as menores possibilidades de arrumação.

  

Compare, por exemplo, a Aircontact Ultra 50+5, à esquerda, com a Aircontact Core 50+10 da Deuter, à direita. A primeira permite poupar quase 1 quilo face à 2ª, para a mesma capacidade. Mas as espumas do cinto lombar e das alças são mais finas, enquanto o painel dorsal da Aircontact Core oferece um apoio lombar mais confortável e respirável.

  

Como encontrar o equilíbrio certo?

Para decidir entre uma mochila ultraleve e uma mais pesada mas mais confortável, recomendamos ter em conta 5 aspetos.

O peso do equipamento, sem contar com a mochila:

- Se transportar uma carga pesada, precisa de bons acolchoamentos e de um sistema de transporte estável, que acompanhe bem os movimentos. Acima de 15 kg, por exemplo, não parece pertinente procurar uma mochila leve.  

- Se já otimizou o restante equipamento e a sua carga é leve, abaixo de 10 kg, poderá ser interessante procurar uma mochila leve, sem descurar o conforto de transporte.

O seu estado de saúde:

Se tiver problemas físicos, pense no que melhor se adapta à sua situação: uma mochila leve pode ajudar a limitar as dores nas costas, desde que leve pouca carga. Para dores nas articulações das pernas, uma mochila com um sistema de transporte confortável poderá ser mais adequada.

 

A duração da viagem:

Se viajar durante muito tempo, a escolha tende a favorecer uma mochila confortável. Provavelmente levará mais equipamento e peso do que num trekking curto. Nesse caso, uma arrumação prática é muito agradável, enquanto esvaziar a mochila e procurar os objetos pode tornar-se cansativo.

Naturalmente, numa viagem longa em caminhada ultraleve, com equipamento minimalista, uma mochila leve continua a fazer sentido.

Num trekking curto, é mais fácil otimizar o equipamento e o peso da mochila.

  

O tipo de viagem:

Se viajar ou caminhar dormindo todas as noites num quarto individual, poderá esvaziar facilmente a mochila e não precisará necessariamente de muitos bolsos.

Se dormir num dormitório de refúgio, ou sobretudo numa tenda, é útil ter muitos bolsos para encontrar facilmente os objetos sem esvaziar tudo.

Se viajar em autonomia completa, com tenda, fogareiro e comida, também é vantajoso ter uma mochila bem compartimentada. É incómodo ter de remexer na mochila durante o dia à procura de um acessório escondido.

Em conclusão:

Procurar a todo o custo uma mochila leve pode ser contraproducente em relação ao objetivo: caminhar mais à vontade, com mais conforto e menos cansaço.

O peso do equipamento, sem a mochila, continua a ser o primeiro critério a considerar. Se transportar menos de 10 kg, pode procurar otimizar o peso da mochila. Acima de 15 kg, é preferível uma mochila suficientemente robusta, com bom painel dorsal e bons acolchoamentos.

Da mesma forma, se tiver uma constituição pequena e leve, o peso da mochila merece atenção, o que é menos determinante se pesar 90 kg. A procura de uma mochila ultraleve para mulher é frequentemente uma preocupação legítima.

Por fim, se tiver limitações físicas, pense no que mais importa: uma mochila muito leve ou uma confortável nas ancas, estável e que não incomode durante os movimentos?

Caminhar com pouco peso é muito agradável. Mas a procura de uma mochila ultraleve deve ser sempre a última etapa da otimização do peso. A primeira é reduzir o peso do conteúdo da mochila.

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