Índice n.º1 - Abril de 2022:
Que circos glaciares! (Troumouse, Estaubé, Gavarnie).
Capa de chuva ou casaco impermeável?
Livro: Raymond Maufrais: a aventura comovente.
Que circos glaciares!
Troumouse, Estaubé, Gavarnie
Quando pensa nos Hautes-Pyrénées, pensa certamente nos seus famosos circos glaciares. Gavarnie, dirá? Sim, mas não só. São 3 vizinhos: Troumouse, Estaubé, Gavarnie, imensas muralhas rochosas junto à fronteira espanhola.
Vá apreciar este espetáculo com toda a família. Eis o que o espera.
Gavarnie: magnífico e muito concorrido
Magnífico! Um superlativo sem exagero: o circo de Gavarnie é realmente um dos mais belos circos glaciares que existem. Património da Unesco, a muralha rochosa coroada por cumes com mais de 3000 m forma um arco magnífico. A beleza mineral é realçada pela presença da água, pelo bonito rio de montanha no fundo do vale e, claro, pela famosa cascata de 422 m. Muito mais alta do que a torre Eiffel, admira-se de longe e aprecia-se de perto (com direito a borrifos de água, conforme o vento).
Voltar ao índice.
Capa de chuva ou casaco impermeável?
Finalmente, um debate de fundo nesta época eleitoral. Numa caminhada, deve optar por uma capa de chuva ou preferir um casaco impermeável? A RayonRando ajuda a esclarecer.
Para enquadrar o debate, esclareço que escolho uma ou outra destas 2 soluções quando parto para caminhadas de vários dias:
- Ou a capa de chuva; nesse caso, levo também um corta-vento leve para me proteger apenas do vento (e do frio) quando não chove. Mas não levo calças impermeáveis, porque a capa desce abaixo do joelho, nem uma capa para a mochila, que já fica coberta pela capa de chuva.
- Ou o casaco impermeável, que também serve de corta-vento quando não chove; nesse caso, levo ainda calças impermeáveis e uma capa impermeável para a mochila.
Como vê, a minha escolha não é definitiva. Depende do que vou fazer.
Eis os 5 fatores que permitem dar preferência a uma ou outra opção: Continuar a ler
Livro: Raymond Maufrais, a aventura comovente
Não é um best-seller acabado de chegar às livrarias: «Aventures en Guyane», de Raymond Maufrais, foi publicado pela primeira vez em 1952. No entanto, mantém todo o seu interesse.
O que o torna único é o facto de não se tratar de um relato de aventura embelezado, nem de um testemunho revisto e corrigido. «Aventures en Guyane» é o diário de viagem, sem retoques, de um aventureiro que morreu durante a aventura. Um indígena encontrou este caderno por acaso, algumas semanas após o seu desaparecimento.
Um êxito literário:
Embora não se destinasse a ser publicado, não pense que se trata de um rascunho ou de um amontoado de notas. O aventureiro era também um excelente escritor, preciso e subtil, tanto ao descrever o meio que o rodeava como o seu estado de espírito. O que também marca é a franqueza e a sinceridade do relato.
A história:
Estamos em 1949. Raymond Maufrais, de 23 anos, é um jovem que participou nos combates da Libertação e já realizou uma viagem pelo Brasil. Decide tentar uma expedição inédita: chegar ao Brasil a partir da Guiana, atravessando a imensa floresta amazónica e os montes Tumuc Humac. Mas lança-se na aventura sem dinheiro, sem meios materiais, a pé e sozinho.

Um testemunho comovente e sincero:
Como avançar por esta floresta impenetrável quando se está mal equipado e se tem de dedicar boa parte do dia à procura de comida? Muito depressa, o fracasso parece inevitável. Ao longo do livro, sentimos admiração e depois uma certa irritação perante este aventureiro, que escolhe ignorar os obstáculos previsíveis e os múltiplos avisos de todas as pessoas que encontra na Guiana.
Mais do que um temerário, não estaremos perante alguém que desafia a morte? Acabamos até por sentir algum desconforto perante esta obstinação corajosa e insensata. Parece tão condenada ao fracasso que nos perguntamos se Raymond procura a aventura ou foge do mundo. Também não podemos deixar de sentir compaixão por este homem que quer acreditar, mas percebe aos poucos que caminha para a morte e que, já sem forças, abandona a expedição. Tarde demais…
A própria natureza do suporte, o diário de viagem, permite-nos acompanhar por dentro a aventura de Raymond Maufrais e vê-la transformar-se numa luta pela sobrevivência. Permite-nos também acompanhar, passo a passo, a sua evolução psicológica, expressa sem disfarces, entre determinação e angústia.
A aventura desesperada de Raymond Maufrais teve consequências: o seu pai, Edgar Maufrais, partiu em busca do filho durante muitos anos, acreditando em todos os rumores de que teria sobrevivido. Daí resultou outro livro: «A la recherche de mon fils».
Raymond Maufrais: «Aventures en Guyane»; Editora: Points
Edgar Maufrais: «A la recherche de mon fils»; Editora: Points
A sua opinião interessa-nos:
Se tiver 3 minutos, diga-nos o que achou deste 1.º número. Isso permitirá melhorar os seguintes: Dar a minha opinião
A seguir:
Eis o que estamos a preparar para o próximo número:
- Maiorca: acima da praia, os trilhos
- O que é o valor R
- Experiência no terreno: Raymond Rando volta para trás
Receba o RayonRandoZine:
Artigos claros e concisos:
- Conselhos práticos
- Relatos de experiências
- Técnica
- Roteiros e destinos
- Literatura sobre caminhada e grandes percursos...
Receberá gratuitamente 1 revista por mês durante 12 meses.
Sem publicidade. Sem e-mails comerciais.
